
MUSEU DE NOVIDADES
Este espaço é dedicado a História da nossa música e seus principais personagens. Porque a memória é o nosso maior patrimônio.
JOÃO GILBERTO AMOROSO
Amoroso.
O título traduz com perfeição o que ouvimos no sétimo álbum do baiano mais idolatrado da Música Popular, gravado em 1977, quando ele ainda residia nos Estados Unidos. Aqui, depois do surgimento da Bossa-Nova com a antológica trilogia de LP´s iniciada com Chega de Saudade em 1959, seria impossível continuar. Antecipando o inevitável, já em 1962, João deixava o seu país. Pouco tempo depois, com a repressão política e cultural no auge, a solução era mesmo amar o Brasil a distancia. Mesmo incompreendido.
O lado A do vinil representa, em quatro idiomas, a busca da universalidade: 'S Wonderful, Estate, Tim-Tim Por Tim-Tim e Besame Mucho. De procedências tão diversas, as quatro se harmonizam no único e inconfundível estilo minimalista da interpretação de João Gilberto. A voz, sem ultrapassar os limites do essencial, surge límpida no ar e nos faz viajar, sobrevoando a trilha firme traçada pela batida sincopada do violão. Um discreto ´jazz trio´ piano-baixo-bateria sublinha a performance do Mestre. Poderia ser apenas isso. E aí temos o improvável: Os arranjos orquestrais de Claus Ogerman, planejados minuciosamente para não interferir no espaço aéreo do sensível João, mas também para conferir ao disco a sonoridade universal que a obra merece. Mais a vontade nos ´standards´ de Gershwin, Bruno Martino e Consuelo Velásquez, mais contido no samba de Haroldo Barbosa, o maestro alemão, que já trabalhara antes com Tom Jobim, cumpre a dupla missão com êxito muito acima do esperado. Sem ele, o Amoroso não o seria.
No lado B, João abraça o compositor maior da Bossa-Nova e de tudo o mais que veio com ela: Tom Jobim. Wave, Caminhos Cruzados (da safra magistral da parceria com Newton Mendonça), Triste e Zíngaro (Retrato em Branco-e-Preto, com letra de Chico Buarque). Novamente o maestro acerta a mão e todas as expectativas se superam.
Um clássico da Música Popular do Planeta.
Quem duvidar, que reserve quarenta e cinco minutos para ouvir. E crer.
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